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Dom Delson
06/03/2010 - 08:40
Tempo de Deus |
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Todo tempo é de Deus. Tudo pertence ao Senhor que, com cada pessoa, partilha todas as coisas. Ora, o dono do tempo quer partilhá-lo... O tempo é dom, gratuidade. Ninguém o compra, não é verdade? Ele é dado e recebido, oferecido e acolhido.
No entanto, o tempo é veloz e não espera por nada e por ninguém. Ele flui sem parar. É necessário, pois, agarrar-se nas suas asas para existir. Uma vez que o ser humano se encontra instalado nas asas do tempo, é convidado a entrar no jogo da existência, doando-se e respeitando a fluidez inexorável do existir no tempo. Nele nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Esta é a lei natural. É verdade que muitos não conseguem seguir todo o seu itinerário.
As doenças e acidentes interrompem para muitos o ciclo natural. Mas, na trajetória do tempo, sabemos que estamos voltando para o lugar donde saímos. A fé cristã afirma: a vida é de Deus, a ele todos pertencem e para ele todos voltam.
A sabedoria humana aponta para a necessidade de vivermos intensamente cada minuto da vida. Isso é respeitar a lei do tempo. Viver cada instante é valorizar a grandeza da alma que se delicia com a vida que vai viajando nas asas do tempo e contemplar as infinitas possibilidades da existência, sabendo que compete ao vivente estar feliz com o dom de cada momento. Estar feliz, alegre e em harmonia com todas as coisas é saber driblar os conflitos para beber o vinho saboroso da paz.
A sabedoria oriental diz que para ser vitorioso é preciso não gastar energia com a ansiedade e saber guardar a força para aplicá-la na ação certa e no momento certo. Só faz isso quem está inteiramente em si e é capaz de viver o essencial, sem desgastar-se com inutilidades e fantasias que não levam a nada, a não ser ao fracasso e à decepção consigo mesmo.
Este tempo de Deus é para ser vivido intensamente, promovendo o bem, a fraternidade, a verdade, o amor e a solidariedade. Nisso todos devem concentrar as suas energias para que, voando nas asas do tempo, a existência brilhe e a sua luz se dissipe na eternidade.
A quaresma é um tempo-convite destinado a todos. Todos são convidados a se concentrar no essencial da vida que consiste em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Isso é conversão. Deixar as distrações da fantasia humana e voltar-se para o acolhimento da Lei Divina e descobrir nela o grande, imenso e estupendo prazer de ser feliz no amor. Amando àquele que é o senhor de todos os homens e de todas as coisas e amando aos semelhantes, parceiros da fantástica viagem da vida no tempo que é dado.
Muitas coisas (dinheiro, prazer, posições sociais, prestígios, “status”, etc.) são tomadas como importantes e imprescindíveis para a vida; no entanto, não passam de quimeras. Já o essencial, muitas vezes, é esquecido e desconsiderado nos projetos humanos e no seu viver. Este é tempo de conversão para Deus. Felizes aqueles que aproveitam os dias quaresmais para refletir sobre a própria vida e colocá-la na direção certa, isto é, na vivência da Palavra de Deus.
Na ótica cristã, a vida só é compreensível se situada no tempo que Deus nos dá. Ele passa tão rápido. Saber vivê-lo intensamente é uma questão de realização, felicidade e salvação. Destina-se para a eternidade quem opta por seguir o Filho de Deus, vivendo o compromisso de construir uma sociedade fraterna, fundada na caridade e no serviço generoso ao semelhante. Aprender a dedicar tempo para ouvir a Palavra de Deus, meditá-la e assumi-la na prática cotidiana é o melhor modo de viver a quaresma como tempo de Deus.
Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz
Bispo Diocesano
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